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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Quando o livro é bom...

                                                                         ...a gente não pensa em outra coisa.

Um usuário entra pela primeira vez numa biblioteca. Uma porta se abre. Uma vida começa. E você é eternamente responsável por isso.
Como é fácil você ler um livro, gostar e gritar aos sete ventos que adorou e que todos precisam ler. O mundo precisa ler esse livro maravilhoso, como não? Olha só a textura dessa página, olha como esse autor escreve e ai, meu Deus, olha só essa ilustração(!!)
Quando um usuário entra pela primeira vez numa biblioteca, você tem o poder de mudar a vida dele com um livro. Você pode indicar uma leitura que, por mais simples e menos palavras que tenha, ensine a ver como a vida é bela, como o mundo é colorido e como devemos amar uns aos outros. E essa pessoa pode sair da biblioteca achando que: a) a vida é muito bela, obrigada cosmos b) a vida de todo mundo é bela, menos a minha c) sou cego.
Dizer para alguém, que um livro é bom, é algo que evito fazer. Sempre digo que “o que é bom pra mim, não pode ser bom pra você. Senta aqui e me conta do que gosta.” E ah, como isso pode ser falho. Como vou saber do que alguém precisa em uma conversa informal de 5 minutos? Como alguém vai confiar em mim em tão pouco tempo para me dizer qual é realmente o seu tipo de leitura favorito?
Uma moça entrou aqui na biblioteca. Ela tem lido quase 1 livro por dia. Ela mal fica dentro da biblioteca. Ela vem, escolhe e vai embora. Sei seu nome porque consta na ficha. Ela me pediu um livro do Nicholas Sparks. Não tinha. Ah, então me indica um, ela disse. Tenho observado suas leituras, dramas e romances constam na ficha. Fui até a estante e peguei um sobre mãe e filha, cuja toda a relação é baseada em recados na porta da geladeira. A mãe tem câncer. A filha sofre. Amei o livro quando li, achei sensacional, rápido e costuma funcionar para leitores que estão em fase de “fidelização” aqui na biblioteca. Ela aceitou.
Voltou. Eba.
Voltou chorando. O pai tá com câncer e não anda muito bem. Não quis pegar outro livro.
Repensei toda as minhas indicações e caramba, não indico mais livros com personagens doentes. Escondi a culpa é das estrelas lá no depósito. E só volto indicar literaturas quando souber até o RG da pessoa.
*Originalmente postado em Doce Biblioteca.  

sábado, 7 de novembro de 2015

Cora Coralina

Pitadas Poéticas


Biografia de Cora Coralina

Cora Coralina

Cora Coralina nasceu em Goiás no dia 20 de agosto de 1889. Começou a escrever poemas e contos aos 14 anos, cursou apenas até a terceira série do primário.
Cora tornou-se doceira para sustentar os quatro filhos depois que o marido, o advogado paulista Cantídio Bretas, morreu em 1934. Viveu por muito tempo de sua produção de doces, se achava mais doceira do que escritora. Considerava os doces cristalizados de caju, abóbora, figo e laranja, que encantavam os vizinhos e amigos, obras melhores do que os poemas escritos em folhas de caderno.
Aos 70 anos, decidiu aprender datilografia para preparar suas poesias e enviá-las aos editores. Em 1965, aos 75 anos, ela conseguiu realizar o sonho de publicar o primeiro livro, "Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Ficou conhecida como Cora Coralina, a primeira mulher a ganhar o Prêmio Juca Pato, em 1983, com o livro "Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha".
Nos últimos anos de vida, quando sua obra foi reconhecida, participou de conferências, homenagens e programas de televisão, e não perdeu a doçura da alma de escritora e confeiteira. Cora Coralina faleceu em Goiânia, Goiás, no dia 10 de abril de 1985.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Zack Magieze

Pitada Póetica
Zack Magiezi é um autor e poeta brasileiro que alcançou a fama através das redes sociais com sua página Estranherismo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Guimarães Rosa


João Guimarães Rosa nasceu no dia 27 de junho de 1908, em Cordisburgo, Minas Gerais.

E desde pequeno era encantado por estudar outras línguas. Iniciou-se sozinho no estudo do francês. Um frade ensinou a ele o holandês e o ajudou a seguir no estudo do francês.

Após passar por alguns colégios, fixa-se em Belo Horizonte, onde completa o curso secundário em uma escola de padres alemães. Logo que ingressa, Guimarães Rosa começa o estudo de alemão.

Ainda nessa cidade, matricula-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, em 1925.

Nem tinha formado, quando em 1929, escreveu seus primeiros contos e deu início à sua carreira como literário. Já a princípio, ganhou prêmio em dinheiro pelos tais contos, ao participar de concurso oferecido pela revista “O Cruzeiro”.

Nesse período, suas obras, apesar de premiadas, não tinham a linguagem literária que representou um marco na literatura brasileira.

Na data de seu aniversário e no ano de 1930, casa-se com a primeira esposa, Lígia Cabral Penna, com quem tem duas filhas: Vilma e Agnes. Forma-se no mesmo ano em Medicina e exerce sua função nas várias cidades do interior mineiro. Após presenciar as dificuldades de se trabalhar em lugares que não ofereciam condições e pessoas sofrendo e morrendo por causa disso, o autor abandona a Medicina, pois não consegue conviver com tal realidade.

Porém, trabalhou por alguns anos como Oficial Médico do 9º Batalhão de Infantaria, como concursado. Contudo, não presenciava as mazelas da Revolução Constitucionalista de 1932, ao contrário, dedicava-se a escrever mais contos, pois lhe sobrava tempo.

No entanto, percebe com o tempo que não tinha intimidade com aquele tipo de trabalho, senão com as letras. Então, por saber várias línguas, decide prestar concurso e ingressa na carreira diplomática, em 1934, quando serve na Alemanha, Colômbia e França.

Em 1936, participa de concursos literários que lhe rende prêmio da Academia Brasileira de Letras por “Magma”, uma coletânea de poemas. Após um ano, seu livro “Contos”, o qual mais tarde se chamaria Sagarana, ganhou o prêmio Humberto de Campos. O primeiro de tantos outros que recebeu por esta obra que reúne contos sobre a vida rural em Minas. É através desse livro que Guimarães Rosa começa a mostrar o regionalismo através da linguagem, característica maior do autor.

É em sua viagem à Europa, em 1938, que o escritor conhece Aracy Moebius de Carvalho, que viria a ser sua segunda mulher. Quando o Brasil rompe relações com a Alemanha, Guimarães Rosa é detido, juntamente com outros brasileiros, até que são soltos em troca de diplomatas alemães.

Depois disso, torna-se secretário da Embaixada de Bogotá, Colômbia, onde permanece por muitos anos. Vem ao Brasil somente em visitas ocasionais.

Retorna ao país de origem em definitivo somente no ano de 1951 e começa a investigar a vida sertaneja, os usos, os costumes, as crenças, as músicas e também a fauna e a flora. É quando escreve “Corpo de Baile”, dividida em três novelas: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém e Noites do sertão.

“Grande sertão: veredas” vem logo após e é aclamado pela crítica por suas inovações nas formas e na escrita. Além de receber prêmios por esta obra, Guimarães passa a ser reconhecido como especial dentro da 3ª geração pós-modernista.

O autor era extremamente místico, ligado a pensamentos supersticiosos. As crenças politeístas e os fluídos bons e maus faziam parte de sua vida. Assim, curandeiros, feiticeiros, quimbanda, umbanda, espiritismo e a força dos astros refletiam em concordância com as ideias deste autor.

Por este motivo, se estabelece uma relação entre a inovação na fala das personagens e o regionalismo envolto em um “sertão místico”, como denomina o autor José de Nicola.

A característica peculiar de Guimarães Rosa é o uso de neologismos, ou seja, da criação de palavras ou da recriação delas.

Veja um trecho em que Riobaldo, personagem do romance “Grande sertão: veredas”, expressa sua dúvida quanto à existência de Deus e do diabo:

O senhor não vê? O que não é Deus, é estado do demônio. Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver - a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo. O inferno é um sem-fim que nem não se pode ver. Mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim com depois dele a gente tudo vendo. Se eu estou falando às flautas, o senhor me corte. Meu modo é este. Nasci para não ter homem igual em meus gostos. O que eu invejo é sua instrução do senhor..." 

Após resistir um pouco, Guimarães Rosa assume a cadeira na Academia Brasileira de Letras, toma posse três dias antes de morrer. No seu discurso de posse, diz: "...a gente morre é para provar que viveu."

O autor faleceu de um mal súbito, em 19 de novembro de 1967; tinha 59 anos.
Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Pitada poética de Chico Xavier


"O maior e mais prolífico médium psicógrafo do mundo, Francisco Cândido Xavier (foto ao lado) em todas as épocas nasceu em Pedro Leopoldo, modesta cidade de Minas Gerais, Brasil, em 2 de abril de 1910. Viveu, desde 1959, em Uberaba, no mesmo Estado, desencarnando no dia 30 de junho de 2002, dia em que o Brasil sagrou-se pentacampeão mundial de futebol. Seu desenlace ocorreu pacificamente, no próprio lar, onde foi encontrado sereno, ainda em atitude de prece a Deus. Conforme revelara a amigos mais íntimos, tinha o desejo de partir num dia em que o "povo brasileiro estivesse muito feliz".

sábado, 26 de setembro de 2015

Pitada poética de Cecília Meireles

Cecília Meireles (1901-1964) foi poetisa, professora, jornalista e pintora brasileira. Foi a primeira voz feminina de grande expressão na literatura brasileira, com mais de 50 obras publicadas. Com 18 anos estreia na literatura com o livro "Espectros". Participou do grupo literário da Revista Festa, grupo católico, conservador e anti-modernista. Dessa vinculação herdou a tendência espiritualista que percorre seus trabalhos com frequência.
A maioria de suas obras expressa estados de ânimo, predominando os sentimentos de perda amorosa e solidão. Uma das marcas do lirismo de Cecília Meireles é a musicalidade de seus versos. Alguns poemas como "Canteiros" e "Motivo" foram musicados pelo cantor Fagner. Em 1939 publicou "Viagem" livro que lhe deu o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras.
Cecília Meireles (1901-1964) nasceu no Rio de Janeiro em 7 de novembro de 1901. Órfã de pai e mãe, aos três anos de idade é criada pela avó materna, Jacinta Garcia Benevides. Fez o curso primário na Escola Estácio de Sá, onde recebeu das mãos de Olavo Bilac a medalha do ouro por ter feito o curso com louvor e distinção. Formou-se professora pelo Instituto de Educação em 1917. Passa a exercer o magistério em escolas oficiais do Rio de Janeiro. Estreia na Literatura com o livro "Espectros" em 1919, com 17 sonetos de temas históricos.
Em 1922, por ocasião da Semana de Arte Moderna, participou do grupo da revista Festa, ao lado de Tasso da Silveira, Andrade Muricy e outros. Nesse mesmo ano, casa-se com o artista plástico português Fernando Correia Dias, com quem teve três filhas. Depois que ficou viúva casou-se com o engenheiro Heitor Vinícius da Silva Grilo. Estudou literatura, música, folclore e teoria educacional. Colaborou na imprensa carioca escrevendo sobre folclore. Atuou como jornalista em 1930 e 1931, publicou vários artigos sobre os problemas na educação. Fundou em 1934 a primeira biblioteca infantil no Rio de Janeiro.
Entre 1936 e 1938, foi professora de Literatura Luso-Brasileira na Universidade do Distrito Federal. Em 1940, lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas. Profere em Lisboa e Coimbra, conferência sobre Literatura Brasileira. Publica em Lisboa o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria. Em 1942 torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro. Realiza várias viagens aos Estados Unidos, Europa, Ásia e África, fazendo conferências sobre Literatura Educação e Folclore.
Cecília Benevides de Carvalho Meireles faleceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de novembro de 1964. Seu corpo foi velado no Ministério da Educação e Cultura. Cecília Meireles foi homenageada pelo Banco Central, em 1989, com sua efígie na cédula de cem cruzados novos.

Pitada poética de Mário Quintana


Mário Quintana foi um importante escritor, jornalista e poeta gaúcho. Nasceu na cidade de Alegrete (Rio Grande do Sul) no dia 30 de julho de 1906. Trabalhou também como tradutor de importantes obras literárias. Com um tom irônico, escreveu sobre as coisas simples da vida, porém buscando sempre a perfeição técnica.

Em 1919, mudou-se para a cidade de Porto Alegre, onde foi estudar no Colégio Militar. Foi nesta instituição de ensino que começou a escrever seus primeiros textos literários. 

Em 1925, voltou para a cidade de Alegrete e passou a trabalhar na farmácia do pai.

Em 1926, sua mãe (Virgínia de Miranda Quintana) faleceu e no ano seguinte foi seu pai (Celso de Oliveira Quintana) que faleceu.

Já na fase adulta, Mário Quintana foi trabalhar na Editora Globo. Começou a atuar na tradução de obras literárias. Durante sua vida traduziu mais de cem obras da literatura mundial. Entre as mais importantes, traduziu “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust e “Mrs. Dalloway” de Virgínia Woolf.

Com 34 anos de idade lançou-se no mundo da poesia. Em 1940, publicou seu primeiro livro com temática infantil: “A rua dos cataventos”. Volta a publicar um novo livro somente em 1946 com a obra “Canções”. Dois anos mais tarde lança “Sapato Florido”. Porém, somente em 1966 sua obra ganha reconhecimento nacional. Neste ano, Mário Quintana ganha o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira dos Escritores, pela obra “Antologia Poética”. Neste mesmo ano foi homenageado pela Academia Brasileira de Letras.

Ainda em vida recebeu outra homenagem em Porto Alegre. No centro velho da capital gaúcha é montado, no prédio do antigo Hotel Majestic, um centro cultural com o nome de Casa de Cultura Mário Quintana.

Mario Quintana não se casou e também não teve filhos. Faleceu na capital gaúcha no dia 5 de maio de 1994, deixando uma herança de grande valor em obras literárias.

Curiosidade:

- Durante a Revolução de 1930, que conduziu Vargas ao poder, Mario Quintana se alistou no Batalhão dos Caçadores (tropa civil que apoiou o movimento revolucionário) do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Pitada poética de Clarice Lispector

Clarice Lispector foi uma das mais destacadas escritoras da terceira fase do modernismo brasileiro, chamada de "Geração de 45".
Recebeu diversos prêmios dentre eles o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal e o Prêmio Graça Aranha.

Biografia

Clarice Lispector
Haya Pinkhasovna Lispector nasceu no dia 10 de dezembro de 1920 na cidade ucraniana de Tchetchelnik.
Descendente de judeus, seus pais Pinkhas Lispector e Mania Krimgold Lispector, passaram os primeiros momentos de vida de Clarice fugindo da perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa (1918-1920).
Diante disso, chegam ao Brasil em 1921 e vivem nas cidades de Maceió, Recife e Rio de Janeiro onde passaram algumas dificuldades financeiras.
Desde pequena Clarice estudou várias línguas (português, francês, hebraico, inglês, iídiche) e teve aulas de piano. Era boa aluna na escola e gostava de escrever poemas.
Após a morte de sua mãe em 1930, Clarice termina o terceiro ano primário no Collegio Hebreo-Idisch-Brasileiro.
Mais tarde sua família vai viver no Rio de Janeiro. Em 1939, com 19 anos, ingressa na Escola de Direito da Universidade do Brasil e começa a dedicar-se totalmente à sua grande paixão: a literatura.
Fez curso de antropologia e psicologia e, em 1940, publica seu primeiro conto, intitulado “Triunfo”.
Após a morte de seu pai, em 1940, Clarice começa sua carreira de jornalista. Nos anos seguintes, trabalha como redatora e repórter na Agência Nacional, no Correio da Manhã e no Diário da Noite.
Em 1943, casa-se com o Diplomata Maury Gurgel Valente, com quem teve dois filhos: Pedro e Paulo. Seu primogênito foi diagnosticado com esquizofrenia e o outro. foi afilhado do escritor Érico Veríssimo.
Devido a profissão de seu marido, Clarice viveu em muitos países do mundo, desde Itália, Inglaterra, Suíça e Estados Unidos. O relacionamento durou até 1959, quando resolveram se separar e com isso Clarice retorna ao Rio com seus filhos.
A escritora foi naturalizada brasileira e se declarava pernambucana. Seu nome, Clarice, foi uma das formas que seu pai encontrou de esconder toda sua família quando chegaram ao Brasil.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Pitada poética de Fernando Pessoa

Biografia

Fernando Antônio Nogueira Pessoanasceu no dia 13 de junho na cidade de Lisboa – Portugal em 1888. Aos cinco anos de idade ficou órfão de pai e sua mãe acabou se mudando com seu novo esposo para a África do Sul, levando Fernando consigo. Foi lá em Durban que Pessoa aprendeu a falar inglês fluentemente até voltar definitivamente a Lisboa em 1905. Em 1915 acaba por produzir textos para o lançamento da revista Orpheu, suas produções literárias são taxadas como intensas e a sociedade conservadora da época não viram com bons olhos. Por causa disso, Fernando começou a adotar heterônimos e apenas publicou, em vida, quatro de suas várias obras. Vítima de cirrose hepática, o autor morre aos 47 anos no dia 30 de novembro. Um dia antes de sua morte ele escreveu suas últimas palavras no hospital: Não sei o que o amanhã trará.
Biografia de Fernando Pessoa
Foto: Reprodução

Seus principais heterônimos

Alberto Caeiro

Nasceu em Lisboa no dia 16 de abril de 1889. Foi o mais objetivo de seus heterônimos, buscando eliminar todos os vestígios de subjetividade em seus textos. O poeta se volta pela busca das sensações naturais dos elementos e se opõe radicalmente ao intelectualismo.

Alvaro de Campos

Nasceu em Porto no dia 19 de setembro de 1887. É dito como o heterônimo com o lado mais moderno de Fernando, caracterizado pela vontade de conquista, pelo amor à civilização e ao progresso. O seu tom de linguagem era irreverente e o estilo se ligava ao Futurismo.

Ricardo Reis

Nasce no mesmo dia do heterônimo anterior. Representa a vertente clássica ou neoclássica da criação de Pessoa. A linguagem é contida e bem disciplinada, com versos, geralmente, curtos que tendem à vernaculidade e ao formalismo.

Poema publicado como Ricardo Reis

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem; outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.
Porque tão longe ir pôr o que está perto –
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este é o momento, isto
É quem somos, e é tudo.
Perene flui a interminável hora,
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.

domingo, 19 de julho de 2015

Pitada poética de Fernanda Melo

Um mergulho em si mesma...

Fernanda Mello é natural de Belo Horizonte, Minas Gerais. Começou a escrever ainda na escola onde participava de concursos de redação. Tornou-se conhecida através de seu blog “Coração na Boca”, criado no ano de 2003 onde escrevia poemas, frases e crônicas.
Fernanda é também compositora de músicas gravadas por diversos cantores, entre eles, a banda Jota Quest, Vanessa Camargo e Negra Li. Entre sua músicas destacam-se “Encontrar Alguém”, “O Que Eu Também Não Entendo”, “A Gente”, “Mais Uma Vez” e “Só Hoje”.
Depois do blog, suas crônicas e poemas foram reunidos no livro “Princesa de Rua”, lançado em 2010. As frases do livro logo se espalharam pela internet, o que gerou grande divulgação de seu trabalho. A escritora lançou o livro infantil, “O Menino que Queria Abraçar o Mundo” (2013), “O Amor na TPM” (2015) e “Amar é Punk” (2015).

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Pitada poética de Carlos Drummond de Andrade

arlos Drummond de Andrade nasceu dia 31 de outubro de 1902 em Itabira do Mato Dentro, no interior de Minas Gerais.
Descendente de uma família de fazendeiros tradicionais da região, Drummond foi o nono filho do casal Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond de Andrade.
Desde pequeno Carlos demonstrou grande interesse pelas palavras e pela literatura. Em 1916, ingressou no Colégio em Belo Horizonte.
Dois anos mais tarde, foi estudar no internato jesuíta no Colégio Anchieta, no interior do Rio de Janeiro, Nova Friburgo, sendo laureado em “Certames Literários”.
Em 1919, foi expulso do colégio jesuíta por “insubordinação mental” ao discutir com o professor de Português. Assim, retorna a Belo Horizonte e a partir e 1921 começa a publicar seus primeiros trabalhos no Diário de Minas.
Formou-se em Farmácia na Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte, porém não exerceu a profissão.
Em 1925 casou-se com Dolores Dutra de Morais, com quem teve dois filhos, Carlos Flávio (em 1926, que vive apenas meia hora) e Maria Julieta Drummond de Andrade, nascida em 1928.
Em 1926, ministra aulas de Geografia e Português no Ginásio Sul-Americano de Itabira e trabalha como redator-chefe do Diário de Minas.
Continuou com seus trabalhos literários e em 1930 publica seu primeiro livro intitulado “Alguma Poesia”.
Um de seus poemas mais conhecidos é “No meio do caminho”. Ele foi publicado na Revista de Antropofagia de São Paulo em 1928. Na época, foi considerado um dos maiores escândalos literários do Brasil:
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.
Trabalhou como funcionário público durante grande parte de sua vida e se aposentou como Chefe de Seção da DPHAN, após 35 anos de serviço público.
Em 1982, com 80 anos, recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Drummond faleceu em dia 17 de agosto de 1987 no Rio de Janeiro. Morreu com 85 anos, poucos dias após a morte de sua filha, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade, sua grande companheira.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Eugênio Mussak - Tenho saudades dos amigos que nunca mais ví...





Quando alguém vai embora



Cheguei a Uberlândia para proferir uma palestra para pais e professores de um colégio local. Uma simpática professora me esperava no aeroporto e fomos conversando sobre o ambiente escolar, sobre a alegria dos alunos, suas dificuldades, sobre a indisciplina, a comunicação entre gerações diferentes, coisas assim. A palestra seria à noite, mas eu havia pedido para conhecer o colégio, pois tínhamos algum tempo.

No caminho ela me disse algo curioso, como que preparando meu espírito: “Não estranhe, professor, nosso colégio normalmente é muito alegre, mas hoje o ambiente está triste. Provavelmente você vai ver algumas alunas chorando”. Não consegui não estranhar o comentário. Quando perguntei o que tinha acontecido, ela explicou: “É que é o último dia da Candice, uma aluna de intercâmbio do Canadá. Ela está indo embora amanhã”.

E ela tinha razão. Em vários momentos senti a tristeza no ar, como se houvesse um luto. A Candice devia ser muito querida, pois sua despedida estava repercutindo em todo o colégio. Era o mês de agosto e ela tinha que voltar à sua terra, onde as aulas começam em setembro. A menina voltaria para Vancouver, a bela cidade da costa oeste canadense, e o colégio de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, seguiria sua rotina, mas não seria mais o mesmo. Candice teria deixado uma marca na vida de colegas que tinham se acostumado com sua presença, sua alegria. A poderosa marca da amizade.

Durante minha palestra não pude não me referir ao fato. E lembrei que um colégio é uma espécie de entreposto de emoções, pois por ali passam anualmente alunos, professores, pais, funcionários, criando um ambiente de convivência, com idiossincrasias, alegrias e tristezas. E de repente vêm os fins de ano, as formaturas, e com isso as alegrias dos novos ciclos e as tristezas das despedidas.

Os garotos e garotas de certa forma estão sendo preparados para o que se repetirá ao longo de suas vidas. Encontros e separações, afinidades e desencontros. Pessoas que invadem nossa alma como posseiros, semeando ilusões que se dissolvem quando ouvimos um “Tchau, estou indo embora!” Como assim? Você me conquistou, tornou-se meu amigo, uma pessoa importante que agora simplesmente vai embora?

Você é responsável por mim – diria o Pequeno Príncipe –, pois você conquistou minha amizade e afeto. Agora assuma sua responsabilidade! Eu bem que gostaria, mas é a vida que não deixa. Ela tem uma lógica própria que não respeita os viventes – responderia o homem grande. A lógica da vida é que temos que seguir nossos rumos, fazer nossa parte dentro do grande agrupamento humano. A vida segue seu curso e nós fi camos chorando nossas perdas nas esquinas, mesmo sabendo que há novas conquistas ao atravessar a rua.

Percebemos, então, que havia um clima estranho entre nós, como se os sentimentos estivessem embaralhados. E estavam. Foi quando um colega, estressadíssimo, entrou no vestiário dos plantonistas proferindo palavras de desabafo, todas impublicáveis. Outro colega, então, fez um comentário lento e profundo: “Sabe, vou sentir muita falta de seu mau humor, meu caro”.
O riso foi geral e o primeiro colega teve que aguentar muita gozação. Mas depois nos detivemos a pensar se seria mesmo possível sentir falta do mau humor de alguém. É claro que não era da cara de azedo que o colega estava portando naquele momento que sentiríamos falta. Era dele. Com todas as qualidades e defeitos que ele e todos nós temos. Seu desabafo naquele momento não era só seu, era de todos nós, pois ele era um de nós. Alguém do grupo, da tribo que tinha passado seis anos junta, estudando, sonhando, brincando, jogando bola, tomando cerveja.
Seis anos que, quando se tem 20 e poucos, parecem muito mais. Entramos calouros ingênuos, felizes, mas excitados , também ingênuos, também alegres, e também excitados com a expectativa da vida pela frente.
Nesse tempo experimentei o espírito de coleguismo verdadeiro. Eu estava feliz com o fim de curso e com o começo de uma nova vida, mas como faria para viver sem a presença da amizade constante deles? Eles estavam indo embora, todos estávamos. Alguns ficariam na cidade, outros não. A tribo, enfi m, estava se espalhando pelo planeta. Agora era cada um por si.
Não sei onde está a maioria de meus amigos. Não sei se tiveram carreiras brilhantes, se casaram, quantas vidas salvaram. Talvez alguns já tenham partido definitivamente. Mas, por outro lado, sei, sim, onde eles estão. Em minha memória, e em um canto especial de meu coração. Que bom que eu tenho de quem lembrar, de quem sentir saudades e a quem agradecer por ter feito parte de minha história e por me ajudar a ser quem hoje sou, este conjunto de retalhos da vida que passou… e que segue.

Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.

Todos os direitos reservados.

Visite o site da revista: www.revistavidasimples.com.br


quarta-feira, 7 de março de 2012

Pitada poética de Nilza Menezes




Nilza Menezes, poeta, historiadora, que viveu sempre rompendo fronteiras. Se fosse se definir seria um pássaro. Nasci onde nunca mais voltei e migrei muitas vezes, transpondo as fronteiras geográficas e culturais.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Pitada poética de Solano Trindade

Para que vim


Eu vim para cuidar de jardins
plantar coloridas flores
regá-las ao sair do sol
fazer lindos buquês
e ofertá-los
aos deuses
e às mulheres

Mas há ameaça de guerra
e os jardins não sobreviverão ao fogo
então não levarei flores aos deuses
nem às mulheres
pregarei a paz.


Solano Trindade nasceu em 1908, em Recife, Pernambuco. Cresceu em meio às músicas folclóricas da região. Seu canto poético é, sobretudo, uma arte de resistência em defesa da cultura negra, Traz à tona a discussão sobre igualdade e liberdade em poemas repletos de musicalidade.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Pitada poética de Carlos Drummond de Andrade

ANO NOVO


O milagre da renovação
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente...

sábado, 19 de novembro de 2011

Conciência Negra



Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano!
O atlântico é pequeno prá nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar...
                                                                                                                           (Gabriel pensador)          

Ímpar e Inútil

Às vezes passo horas a fio
Mergulhado na lucidez
Da minha negritude
Mas isso não basta.

Sinto que lá fora
O mundo pulsa definitivo.
A engrenagem tritura
Os homens solitários.

Aquela dor antiga
Se transformou em outros
Tipos de miséria
Agora a prostituição, o medo
A marginalidade, a angústia
Têm muitas raças
E a multiface desse sofrimento
É o retrato mais conhecido
Nas ruas da cidade.

Ser somente negro
Não me basta
É preciso ser igual
Pois essa fome, esse veneno
Que a todos destrói
É o alimento com que eles
Nos separam..

 Ele Semog


                                                               


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pitada poética de Nicolas Behr


            


RECEITA

2 conflitos de gerações
4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos Beatles

Modo de preparar:

Dissolva os sonhos eróticos
Nos dois litros de sangue fervido
E deixe gelar seu coração



Leve a mistura ao fogo
Adicionando dois conflitos de gerações 
Às esperanças perdidas

Corte tudo em pedacinhos
E repita com as canções dos Beatles
O mesmo processo usado
Com os sonhos eróticos, mas desta vez
Deixe ferver um pouco mais 
E mexa até dissolver

Parte do sangue pode ser         
Substituído por suco de
Groselha mas os resultados
Não serão os mesmos

Sirva o poema simples
com ilusões
                                 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

“POESIA MOKITI OKADA”



Estamos na primavera. Pouco a pouco, a paisagem vai ficando mais florida, alegre, cheia de vida. A flora brasileira, especialmente rica, cria, diante de nossos olhos, paisagens paradisíacas. É o Belo exterior refletindo o Belo que já conseguimos cultivar em nosso íntimo.



A beleza da flor 

Quando a fixo, compenetrado, 

Volto a sentir 

Quão profundas são as 

Bênçãos de Deus. 


Sem conhecer as impurezas do mundo, 

Desabrocha uma camélia no jardim 

Com ela, ornamento o meu lar. 


Aqueles que têm o desejo ardente 

De se igualar à beleza das flores, 

Possuem corações 

Que a elas se assemelham. 

“POESIA MOKITI OKADA”









Juíza usa sua própria história para desmascarar as falácias da tão propalada meritocracia.


Símbolo da resistência

Ana Júlia discursou na quarta-feira (26) na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná para defender a legitimidade das ocupações de escolas como forma de luta pela qualidade da educação pública.
Segundo a ombudsman da Folha, uma espécie de ouvidora que atua sob a perspectiva dos leitores do jornal, a cobertura da imprensa é tímida para a dimensão da luta dos estudantes contra a reforma do ensino médio (MP 746) e contra a PEC 55 (antiga PEC 241) que congela investimentos na educação por 20 anos.

Do Canal O Mundo segundo Ana Roxo


Explicações simples para assuntos complexos 

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