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sábado, 27 de janeiro de 2018
Mandalas Positividades
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
A manipulação dos mecanismos de detenção preventiva do ex-presidente Lula
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| Foto:Ricardo Stuckert |
Edição desta sexta-feira, 26, do jornal The New York Times traz artigo do pesquisador Hernán Gómez Bruera, especializado em América Latina, com duras críticas à decisão do TRF-4 que confirmou a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aumentou sua pena para 12 anos de prisão.
Segundo o pesquisador, os juízes brasileiros deram carta branca a um "conjunto de perigosas práticas legais que criam um estado de exceção típico dos regimes autoritários". "Parece que, no poder judicial brasileiro, vale tudo em um julgamento anticorrupção: de romper as regras de um processo criminal, inventar figuras legais inexistentes ou manipular mecanismos de detenção preventiva", afirma.
Hermán Bruera afirma que o objetivo do processo contra Lula não foi promover o surgimento de uma nova república de honestidade e transparência, mas "tirar o rival mais temido do caminho". "A estratégia não só procura desabilitar eleitoralmente o ex-presidente, mas também prejudicar sua imagem e reputação", afirmou.
"Independentemente do que finalmente aconteça, a verdade é que, presente ou não nas próximas eleições, a figura de Lula continuará a influenciar a política brasileira por muitos anos, mesmo que as elites de direita insistam em enterrá-la e o incalculável custo político. que isso poderia ter para a democracia brasileira", acrescentou.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
O CANTO DA CASUARINA E O SILÊNCIO DOS LIBERAIS
Por Alexandre Meira
Historiadores do futuro tenham piedade de nós. Sabemos, e aqui falo em
nome dos leitores que concordam com o conteúdo desse artigo, do tamanho da
encrenca que vocês estão lidando ao procurar entender essa democracia latina em
plena crise de puberdade no amanhecer do século XXI. Trabalho árduo. Apesar de
ser este um dos principais cuidados do historiador profissional, sabemos como
deve ser difícil aos olhos de quem, advindo sabe-se lá de qual contexto futuro
– que suponho eu, enquanto civilização, há de caminhar sempre para frente –,
tenta enxergar como o presente de hoje conseguiu dar um duplo twist carpado pra
trás em menos de três anos. Mas acreditem: É novidade para muitos de nós aqui
também. Pelo menos para mim que nasci e cresci junto com o último período
democrático brasileiro. Mesmo poucos que possamos ser, sabemos e conscientes
estamos, de que não fazemos, e não queremos fazer parte, desse caldo de ódio
institucional de classe e hipocrisia fascio-religiosa que vem se tornando o
Brasil. Salvo conclusões inevitáveis e necessárias acerca deste tempo, o que
quero dizer, junto com inúmeros leitores desse blog, em português claro, seria:
Nos inclua fora dessa!! Claro que confio no trabalho de vocês, contudo peço
encarecidamente que não nos generalizem a todos, em nome dos gloriosos pepinos
que o futuro ainda nos reserva e que podem estar no colo de vocês neste exato
momento. Hoje, um ano depois de um golpe parlamentar, após a consolidação de
uma quadrilha profissional no governo federal, no meio de uma onda conservadora
gélida varrendo o país, assistindo boquiaberto a Lava Jato ser desmoralizada e
se desmoralizando dia-após-dia, e, como brinde, ainda, sofrer com a imposição
de uma agenda ultraliberal, em forma de pato inflável, arrochar a população
mais pobre do país em busca de uma “modernização”, chega-se fácil, fácil a
conclusão de que no Brasil não há um dilema a ser enfrentado, o Brasil, hoje, é
o dilema.
Falo
em dilema por ser impossível não destacar o rebuliço que tomou conta da imprensa
corporativa quando o assunto são as eleições do ano que vem. Principalmente a
cada rodada de pesquisas eleitorais envolvendo a disputa presidencial de 2018.
Outro dia, no rádio, estava ouvindo o Sardenberg, reconhecido jornalista
político da CBN. Pois é, CBN... eu sei... ainda tento. Após o anúncio dos
resultados da última pesquisa de intenção de votos para presidência da
República do ano que vem, na qual o ex-presidente Lula figura em primeiro lugar
(e já há algum tempo, inclusive), o que se viu foi um autêntico barata voa no
estúdio da rádio com inúmeros comentaristas políticos fazendo malabarismos
analíticos inimagináveis tentando justificar o absurdo de ainda termos um
político como o ex-presidente, que: 1) Está envolvido no maior escândalo de corrupção
do país, portanto no epicentro da Lava-Jato (e do Power- Point!... não
resisti), 2) É recém condenado e está diante de uma iminente inelegibilidade
fulcrada pelo TRF-2. E pior, atribuindo ao povo brasileiro uma suposta chaga
moral, com comentários para lá questionáveis quanto ao gosto. Fazer o quê, se a
criança feia não faz o que os pais ensinam que é certo, né? Pois é... Os
analistas da CBN botavam ovos de pata de tanta incredulidade com o fato de Lula
figurar como presidenciável mais provável, e com viés de alta.
Impossível
não achar graça. Primeiro do choque duro deles com a realidade. Segundo com o
nítido senso de vira-lata, em atribuir ao povo uma suposta culpa, como se a
houvesse, linkando subliminarmente programas sociais com venda de votos
disfarçada. Bem, amigos historiadores, vocês já sabem o resultado dos eleições,
mas vamos combinar que isso é muito engraçado. Se programas sociais são vendas
de votos, por que isenções fiscais milionárias a empresas e conglomerados
também não seriam? E o perdão de dívidas previdenciárias? Quem, se fosse dono
de uma Riachuelo, por exemplo, não votaria em quem perdoasse suas dívidas de
milhões, caso existam? Quem não faria doação de campanha??!!
Olha... Difícil, mesmo, é não
acreditar na tão falada teoria das bolhas de realidade. O que as redes sociais
estão fazendo com a interação entre grupos sociais nesse século é uma revolução
por completo. Ainda bem que vocês, amigos historiadores, já estudaram bastante
sobre isso. Pra gente ainda é uma novidade. As distâncias encurtadas
pelas redes sociais não levaram tão somente a uma aproximação de fato, mas a
uma clivagem em diferentes identitários. Com um perigoso encurtamento do pavio
da tolerância também... Estamos muito mais próximos uns dos outros, mas só de
quem realmente concorda ou manifesta afinidade conosco, valendo o contrário
senso a quem se opõe a nós. Claro! Voltamos a Idade Média e vivemos em feudos.
A tal ponto que, por exemplo, tomamos contextos fechados e tematicamente
definidos, em que por afinidade reúnem-se pessoas e segmentos, como se fosse a
mais pura e verdadeira realidade. Essa é a bolha! E a Imprensa Corporativa
brasileira vive na sua. Como ela não foi democratizada ainda, e,
principalmente, segue comprometida com uma agenda que não passou pelo crivo das
eleições, só consegue se surpreender com o fato de que existe vida inteligente
fora do alcance de seu canhão ideológico, quando ela se mexe na sua frente.
Vide resultado da pesquisa supracitado. Mal consegue entender a existência de outras
bolhas além da sua. E, principalmente, não questiona sequer a própria eficácia
hoje desse poderoso canhão ideológico que ela manipula.
Imagine
que se, por dedução, tomemos que o Mercado, essa entidade impessoal e potente
de manifestação na realidade, é por essência pragmático. E ele é, sabemos
disso. O que seria então da base da pirâmide social que vivemos, o chamado
Povo, essa entidade também potente de manifestação? Sim, porque para os
analistas políticos da CBN pode-se colocar em pauta noções de uma pretensa
cultura de individualismo rasteiro, a tal da Lei de Gerson, como uma
justificativa social à moral desviante do brasileiro manifesta em pesquisas de
intenção de voto. Como se fosse um simples dois mais dois. Um raio X cultural
com base no que essa entidade, o Povo, escolhe como favorito ao cargo que mais
pode interferir em sua própria realidade. Qual seria a conclusão, amigos? O
Povo brasileiro é mau caráter?
É uma ironia da minha parte, claro.
Jamais entenderia uma mídia altamente concentrada e ideológica sem uma agenda
política prévia, a aplicar a cada momento político que esse país apresentar
como oportuno para ela. Sem ingenuidade. A bolha do Jornalismo de Guerra desses
últimos tempos tenta na verdade dissuadir a capacidade daqueles que margeiam o
foco de seu canhão ideológico de fazer escolhas pragmáticas, tal qual o sagrado
Mercado faria. Sob o filtro moralista de quem constata uma alma corrompida.
Façamos então o seguinte exercício: Tente ver fora da bolha, se o Mercado,
principalmente após um Golpe Parlamentar, pode se valer de corruptos contumazes
para implementar sua agenda de país, mesmo que isso interfira nocivamente na
capacidade de toda uma população herdar um futuro de acordo com o que vendeu de
seu esforço sob forma de mais-valia. Por que o Povo, não poderia se valer de
nomes questionáveis ou até de corruptos para fazer valer a sua própria agenda?
Amigos, é uma pergunta dura. Difícil
para ser feita. Difícil para ser respondida. E que precisamos infelizmente
encarar. Longe de julgamentos de quem seriam esses tais “nomes”. Deixo a cada
um que responda para si mesmo, respeitando sua bagagem ideológica, respeitando
todo o espectro político possível de onde venha tal leitor. A pergunta é a
mesma. E não pensem que há aqui uma defesa da candidatura de Lula, por que o
ano de 2018 provavelmente será uma arca de Noé quanto a diversidade da fauna
política disponível. Nós poderemos escolher à vontade. A maravilha da
Democracia está na capacidade de se acertar e, principalmente, de se errar
coletivamente. Como disse antes não é o país que não atravessa um dilema, o
dilema é o país. E nesses momentos difíceis, em quem você confia, a que você se
apega?
Isso me fez lembrar um conto antigo
do folclore das inúmeras ilhas do pacífico: Certa vez um garoto acordou e viu
sua aldeia sendo massacrada por invasores. Imagens aterrorizantes. Um pai em
desespero, antes de morrer mandou que o filho fugisse dali, não parasse para
ninguém na mata e corresse. “Mas pra onde vou?”, disse o menino provavelmente em
lágrimas. “Tenha calma e ouça tudo que puder!” Foi essa a enigmática frase do
pai ao final. “Fuja!”, acrescentou. E o garoto largou todo seu passado ardendo
em chamas e simplesmente correu durante horas. No caminho passou a ter muito
medo, não confiava em nada, nem em ninguém que cruzasse, até que chegou a
várias bifurcações no caminho, que se enredavam infinitamente para um lugar que
para ele era ainda desconhecido. Cansado do sofrimento, sentou e chorou de
desespero. Anoitecia e ele simplesmente não sabia para onde ir. Não sabia o que
fazer. Foi quanto do nada ele sentiu que junto com o vento que soprava seu
rosto um assobio mavioso e leve fez-se ouvir. Eram as árvores, lembrou de
muitas delas perto de onde seu pai costumava pescar. Devia estar perto de lá, e
poderia pescar pra comer. Ele se levantou, limpou as lágrimas e sem pensar
seguiu para onde vinha o som mergulhando no labirinto de bifurcações que se
apresentava.
A história não acaba aí. De acordo
com a região o conto tem alguns finais tristes e outros felizes. É um registro
de história oral repassado por gerações, e que é base popular dos mitos que
envolvem as famosas árvores que cantam em todo sudeste asiático. O curioso da
história é que tais árvores são as ancestrais de nossas conhecidas casuarinas,
que povoam o nosso país inteiro. Quem já esteve perto de uma sabe do que eu
estou falando, impossível num dia de vento não parar alguns segundos para
ouvir. O elemento universal que esse conto nos apresenta é como lidar com o
medo, esse sentimento ancestral. Sempre tomamos o caminho de autopreservação,
individualista, o caminho mais lógico, mesmo que não saibamos que futuro pode
aparecer daí. Isso nos conforta. Nada muito abstrato. Somos pragmáticos nessas
horas. O medo talvez seja a vibração mais em alta do país hoje: medo do
desconhecido, medo dos negros, dos gays, dos pobres, medo do conservadorismo,
medo dos corruptos, medo da sufocante violência urbana, e por aí vai. O medo
das diversas linhas editoriais que compõe o uníssono cartel de mídia brasileiro
em assumir que em uma democracia ideias são postas à prova em debates públicos,
e podem ser negadas. Como já foram. Medo de ouvir o canto que vem de fora da
bolha, principalmente quando não se sabe para onde ir. Ou quando se acha que
tem muita certeza. A Democracia é o canto da casuarina por que ela oferece uma
solução prática no caos. Independente se essa solução será boa ou ruim. Mas ela
pactua. Ela estende a mão ao máximo de pessoas que ela consegue alcançar. Um
país que não escuta suas casuarinas não é um país democrático.
A implosão do centro político
ocorrida nessa atual crise proporcionou algo diferente no país. Há um fosso
entre dois ou mais brasis, isolando-os, e é desse fosso que as instituições
imploram que nasça um novo Rei Davi que unifique as mais diferentes tribos
desnudadas pela quebra do pacto. Sim, amigos historiadores, o pacto democrático
foi quebrado, vocês já devem saber. Normalmente os pactos democráticos no
Brasil duram um pouco mais de 30 anos. Infelizmente. E o pacto atual trouxe
consigo uma coincidência macabra: O fato de ter sido gestado e assassinado pelo
mesmo grupo político, O PMDB. Tal partido hoje é um amontoado de coronéis e
suas bases políticas altamente fisiologizadas. Ocorre que durante a reabertura
democrática, o PMDB, composto então por grandes nomes, foi uma das siglas que
ironicamente ascendeu a pira que iluminou as trevas brasileiras durante saída
do Regime militar. Essa pira veio a se transformar na Constituição de 1988.
Assina a autoria um de seus principais nomes: Ulysses Guimarães. Vinte e oito
anos depois, por conta do Golpe Parlamentar de 2016 perpetrado pelo próprio
PMDB, partido da base aliada do governo, sepultamos a Quarta República
brasileira.
A imagem é célebre: Ulysses Guimarães
brandindo o “livrinho” nas mãos promulgava a “Constituição cidadã”. Mas como
toda peça jurídica que se pretenda Carta Magna, ela possuia erros, quase
inevitáveis e verificáveis só depois. Sérgio Sérvulo de Cunha, Ex-procurador do
Estado de São Paulo em artigo citou pelo menos três: Primeiro a inexistência de
ferramentas jurídicas que protegesse o povo dos efeitos do neoliberalismo, que
ainda estava para chegar, mas já se espalhava pelo mundo, acreditou-se que,
para preservar a Democracia, bastavam os instrumentos da Constituição de 1946;
segundo, o quórum de 3/5 (que é inferior ao da nossa tradição política) para a
reforma da lei magna; e por último os exagerados poderes contemplados ao
Supremo Tribunal Federal, que derradeiramente nos falhou. Contudo, o que se
considerava antes o maior erro da Constituinte: a produção de uma peça
eminentemente analítica, revelou-se um acerto: o povo sempre desconfiou dos
poderes constituídos. Havia razão nisso, pois vimos que foram estes que,
conchavados com os históricos inimigos da democracia constitucional, viriam a
golpeá-la. Algozes cruéis foram também os congressistas, que vieram
desfigurando o texto constitucional com quase cem emendas; foram eles que,
liderados por Cunha, do PMDB, e mesmo sem causa jurídica sustentável, quebraram
o pacto democrático, afastando uma presidente incompetente para lidar com a
crise, mas que além de eleita pelo voto popular, não lhe foi atribuída qualquer
crime de responsabilidade. Lições tiraremos quando se restaurar a democracia,
estamos tomando hoje uma surra da História, mas castigo de mãe sempre dá
resultado. Pena que a conta a ser paga seja tão alta justamente para
aquela tal entidade impessoal que futuramente escolherá quem guiará nossos
passos, e quer queira, quer não, é gerida por um pragmatismo frio, que sempre
desponta nas horas de crise... Se você, por acaso, ainda acha que eu estou
falando do Mercado, desculpe: Falo do povo. Não se decepcione, com as escolhas
dele, por mais incoerentes e até injustas que possam parecer. Lembre-se:
Business as usual.
E por falar no tal do Mercado, amigos
historiadores, o que chama a atenção é o silêncio dos liberais frente as
múltiplas denúncias de corrupção de seus agentes políticos parceiros. Ao
contrário da grita armada quando os corruptos eram os outros. Mas os liberais
brasileiros têm dessas. Veja: O Brasil talvez seja o terreno mais infértil para
a propagação dos valores liberais, falo dos verdadeiros valores liberais.
Quatrocentos anos de escravidão souberam apenas produzir oligarquias
conservadores entupidas de herdeiros, ostentando dinastias políticas. O self
made man por essas bandas morre de inanição se não se associar aos oligarcas. E
assim fez-se a luz: Nasceu por essas bandas o tal do Capitalismo de compadrio.
Desse caldo fedorento e perigoso surgiu o liberal brasileiro, e o seu
personagem principal: o liberal de botequim, capaz de unir em um só discurso
princípios neoliberais e truculência autoritária, isso quando não vomita
preconceito contra minorias. Há plateia para isso nesses anos. Por que? Deve
ser fascinante para os cérebros mais subterrâneos ouvir alguém falar por você
todos os preconceitos e horrores de sua alma, quando você mesmo está impedido
de vocifera-los por uma certa censura social, certo? Pois então, com mais de
dez anos de redução de desigualdades sociais, uma hora esse personagem
tipicamente brasileiro, a quem chamo de liberal de botequim, iria sair furioso
do armário e alcançar as ruas com a camisa da CBF. Mesmo que não fosse por
muito tempo.
Mas não esqueçamos, o liberalismo
brasileiro é um ornitorrinco. Os liberais brasileiros dependem do Estado,
adoram o Estado, mais do que em qualquer outro lugar. São oligarcas na
essência. E como princípios apresentam um claro viés: Privatiza-se lucros,
reduzindo o Estado, socializa-se os prejuízos, após. A estes temos acesso in
natura aqui na terra da sonegação fiscal das grandes empresas (afinal
precisamos atrair investimentos, né?). A que preço? O da barbárie? Só que
saibam que para eles ainda há uma vantagem estratégica nesse atual momento
histórico: Como a agenda neoliberal é impossível de ser aceita se submetida à
debate, e pelo crivo das urnas, por ser profundamente desigual e avassaladora
com a realidade dos mais pobres, poupando-se privilégios, aponta-se o caminho
do conservadorismo cultural como saída, e por onde há uma massa de acólitos
conservadores neopentecostais que irá trilhar, em nome de Deus, agregando valor
eleitoral ao liberalismo... de botequim. Mas hoje, por enquanto, só há
silêncio.
Lembra do fosso que eu falei? Aquele
aberto, dividindo o Brasil, até que alguém surja dos escombros do centro, no
espectro político. Verdadeiros necromantes da Democracia têm saltado e corrido
espalhando ódio, soluções infalíveis e principal dúvidas na cabeça da população
brasileira, já acostumada a tanta pancada. São os tais outsiders. O biônico
Luciano Huck, pelo PRGT (Partido Rede Globo de Televisão), é candidato a ser o
Berlusconi da vez, uma versão, talvez, loucura, loucura, loucura, ...mas o que
pensar de Dória e sua proposta de gestão empresarial-midiática tão sem
sustância como uma farinata? E nem pense em olhar quem está na borda
do outro lado do fosso, por que pode ser que você tenha vontade de pular nele
de uma vez: O capitão Jair Bolsonaro, cabra macho, pero no mucho, defensor do
método das piores ditaduras, incluindo a tortura, soletra com todas as letras
seu preconceito contra gays, negros e mulheres. Este homem religioso, cristão
convicto que é, é o mais novo best friend forever dos princípios liberais,
contrariando toda a inclinação estatizante de seus ídolos, os generais da
última ditadura militar. Vai entender... cabe a nós aceitarmos. Diante disso é
muito mais fácil entender como o medo recorrente e o cansaço pode nos fazer
pragmáticos diante de um futuro sem perspectivas. Um pesadelo real. O pior de
se quebrar um pacto é não ter forças para se criar outro. Basta verificar que
por onde passaram as primaveras árabes derrubaram-se regimes, mas em sua
maioria ergueram-se regimes ainda mais conservadores, desequilibrando um
arranjo social muitas das vezes favorável aos mais pobres de acordo com a
cultura local, isso quando não trouxe a mais cruel barbárie.
Os liberais de botequim, contrariando
os seus princípios clássicos, não se valem da Democracia. Eles cavalgam na
história desse quadrante do planeta, deslumbrados com o capital internacional,
montados em regimes ditatoriais ou, na impossibilidade deles, de assépticos
golpes brancos. Por aqui, digo, se quiser realmente saber como funciona um
Brasil conservador e retrógrado, vote num liberal, por mais absurdo que isso
possa parecer. Talvez por isso, o menino triste na estrada sem saber por onde
ir, só tenha coragem de seguir para onde o canto mavioso da casuarina aponta.
Mesmo que isso não pareça ser o certo aos olhos dos outros. Mesmo sem ter a certeza
se realmente isso vai dar certo. Mas só porque era a maneira mais fácil de
fugir de um sofrimento que o pragmatismo de outros os obrigou a enfrentar.
O Brasil vive um momento em que não se pode falar mais de “ativismo judicial
Usurpam a política, ofendem a sociedade, mas exigem serem chamados de “excelências”.
Fernando Horta
O Brasil vive um momento em que não se pode falar mais de
“ativismo judicial”. Passamos também do ponto do “protagonismo judicial’. Estamos à beira, mesmo, de uma ditadura togada. Ditadura sem legitimidade
democrática qualquer, fora as piruetas hermenêuticas que só se sustentam porque
não se pode contrapor efetivamente o que quer que um juiz diga. Há muito que os
juízes brasileiros agem “de ofício”, seja por interposta pessoa, seja torcendo
as funções jurídicas que possuem. Moro é apenas um exemplo. Talvez o mais
vistoso dos absurdos que existem Brasil afora. Absurdos que se consubstanciam
numa suprema corte que legisla, que desconstrói a constituição a seu bel-prazer,
que faz política partidária e que, ultimamente, anda se vendo como reserva
ativa de moralidade do sistema brasileiro. Fux ameaçou “rever” a decisão da
Alerj de soltar os parlamentares com prisão decretada pelo tribunal federal. Não basta mais apenas prender, agora, os juízes ameaçam quem opina diferente.
No ano passado, uma pequena parte de casos escabrosos chegaram à
mídia. Desde juízes que usavam bens de jurisdicionados seus, que estavam em sua
posse, até juízes processando porteiros e zeladores por acreditarem que
supostamente estes tinham obrigação de manterem-lhes o empolado tratamento
social. Também apareceram juízes racistas, machistas, juízes que assassinaram
em frente às câmeras, juízes que agridem suas companheiras, que vendem
sentenças, que cobram por liminares...enfim.
Uma pequena parte dos absurdos que existem no judiciário
brasileiro é suficiente para mostrar que eles são humanos como outros
quaisquer. Sujeitos ao erro, à corrupção e a todas as sinas que existem em
nossa sociedade. Se isto é verdade, por que, afinal, eles mandam? Qualquer estudo sobre o judiciário brasileiro vai
revelar que os juízes são, em sua imensa maioria, brancos, homens, cristãos, origem
urbana, de classe média e heterossexuais. Não poderia haver um grupo que melhor
espelhasse todas as críticas racistas, sexistas e de uma sociedade engessada do
que o judiciário. Além disto, a imensa maioria ganha acima do teto constitucional,
com juízes chegando a receber até “auxílio-peru” para as festas de final de
ano. Se tornaram uma casta aparte da sociedade e conseguiram até que o Estado pagasse pela sua perpetuação. Hoje, não apenas o cargo de juiz é vitalício
como o Estado paga um gordo “auxílio” para que os filhos dos juízes tenham
educação diferenciada, perpetuando assim a diferenciação social da qual emanam
e que defendem.
Também vivem sem tocar os pés no chão. Durante a crise no RJ o
ministro Fux (originário do RJ e que detém, em suas gavetas, inúmeras ações paradas que questionam os privilégios próprios, enquanto “luta” contra
a corrupção) deu despacho ordenando que primeiro fossem pagos TODOS os membros
do judiciário para somente então, se sobrar dinheiro, paguem-se outras classes de servidores. O resultado são professores passando fome, policiais sem
conseguir pagar as contas enquanto os juízes aumentam seus patrimônios. Calcula-se
que Moro e sua “lava a jato” sejam responsáveis pela queda de 3% do PIB
brasileiro. Enquanto os togados não sofrem qualquer resultado prático por suas
ações, sendo seus salários e penduricalhos garantidos na frente de
quaisquer outros, a população é desempregada, empresas falem e o povo volta a passar fome e o Brasil desanda.
quaisquer outros, a população é desempregada, empresas falem e o povo volta a passar fome e o Brasil desanda.
O judiciário brasileiro advoga a idéia de que devem ganhar muito
acima de qualquer outro grupo social no Brasil para “poderem exercer o múnus do julgamento sem pressões materiais ou morais”. Uma tremenda falácia.
Apenas tornaram a corrupção cara, não acessível à imensa parcela da população.
Sentenças são vendidas por 200, 300 ou 500 mil já que um juiz ganha em média do ganho real do juiz é 25% acima do teto constitucional. Uns 42 mil mensais,
com juízes ganhando constantemente acima de cem mil mensais. Completamente
incapazes de conhecer a realidade brasileira, suas excelências, lutam violentamente para manter seus privilégios. Ano passado, quando jornalistas
fizeram uma matéria e publicaram os ganhos acima do teto na imensa maioria dos
juízes, foram processados em várias cidades ao mesmo tempo, tendo os juízes combinado as várias ações. Ação em tudo semelhante às máfias. O objetivo
era fazer com que os jornalistas gastassem tempo e dinheiro para se defenderem
em diversas comarcas. Em linguagem popular, suas excelências togadas associaram-se
para fazerem os jornalistas “sangrar”, num claro aviso de quem realmente tem
poder.
Todo e qualquer benefício é estendido aos togados sob o
argumento da “isonomia” entre os servidores públicos. Isonomia que só aparece em termos pecuniários e para oferecer vantagens, pois em termos sociais,
políticos ou qualquer outro, não há. Juízes estão acima da lei. Mesmo que a
hermenêutica diga o contrário, basta que se tenha em conta que a maior punição
a um juiz é a aposentadoria com os vencimentos integrais, para ver-se que, como
tudo na magistratura, há uma enorme distância entre a teoria e a prática.
Todo este aparato de proteção material, social, política e
jurídica que gozam os juízes não deu à sociedade brasileira qualquer diferencial em termos de justiça. Gastamos mais de 1,4% do PIB com o judiciário
(enquanto a média dos países da OCDE é 0,8%) e temos uma sociedade que perpetua
injustiças, encarcera em massa negros, mantém diferenciais de direitos por sexos e desorganiza a constituição sempre em favor de interesses materiais. Tem
até juiz que julga baseado na bíblia e cita os versículos como forma de embasamento
...
Na constituição está escrito que os juros devem ter um limite
(art. 192). O STF disse que não está escrito e liberou juros de qualquer valor
que o mercado desejar. Os bancos continuam sendo os que mais ganham. Na
constituição está também escrito que um casal é a união de um homem e um mulher
(art. 226). O STF disse que não e liberou o casamento homo afetivo. É claro que
eu acho que esta última decisão é um benefício e que a primeira um absurdo, mas
outros grupos sociais discordam diametralmente. Daí que, ao invés de resolver
problemas (nas palavras do ministro Marco Aurélio), os juízes brasileiros estão
criando problemas sociais e políticos. São
responsáveis pela situação que o Brasil está, tanto por terem por anos sido conivente e até partícipes nos processos de corrupção, quanto por agora quererem usar as togas para “endireitar” o Brasil. Cada um baseado na sua intocável consciência e sem praticamente nenhuma forma de prestação de contas. Juízes quebram leis, mandam prender, soltam e fazem tudo ao seu bel prazer sem nenhuma forma de “accountability”.
responsáveis pela situação que o Brasil está, tanto por terem por anos sido conivente e até partícipes nos processos de corrupção, quanto por agora quererem usar as togas para “endireitar” o Brasil. Cada um baseado na sua intocável consciência e sem praticamente nenhuma forma de prestação de contas. Juízes quebram leis, mandam prender, soltam e fazem tudo ao seu bel prazer sem nenhuma forma de “accountability”.
Também não vale o argumento de que se a primeira instância errar
a segunda instância corrige. Pesquisa feita por juízes críticos do próprio sistema (sim eles existem e também são perseguidos) mostra que o tempo
em média de deliberação dos processos em segundo grau é menor que 30 segundos.
Se você não tiver dinheiro, a segunda instância é apenas uma carimbadora da primeira. E se você tiver, a segunda instância “corrige” dentro do
interesse do mais afortunado financeiramente.
Durante o impeachment, a suprema corte deu inúmeras provas de
ignorância em diversos assuntos. Os ministros não conheciam teorias básicas de ciência política (sobre representação, comportamento, processo
de decisão, função e espaço dos partidos e etc.), como, aliás, já tinha
ocorrido em julgamentos sobre questões biológicas e mesmo econômicas. Suas
excelências acham que podem julgar tudo sem nenhuma vergonha. E ai de quem ousar
discutir. O poder da academia estava incomodando os juízes, afinal, havia um imenso grupo de doutores com conhecimento chancelado por inúmeras bancas, livros,
trabalhos, teses, conferências e etc., enquanto suas excelências tinham apenas
o martelo. Rapidamente se deu um jeito nisto. Títulos de mestre e doutores
foram sendo dados à esmo, levando à própria academia a se perguntar como se
pode fazer doutorado em 3 anos sem ter feito mestrado ou fazer pós-doutorado
antes do doutorado. Coisas que só no mundo do direito existe.
A verdade é que o país vai mal, mas o judiciário não é apenas
também culpado por este mal, como se beneficia, de diversas formas da anomia que vivemos. Materialmente e juridicamente intocados, suas excelências
estão cada vez mais pairando sobre o resto da população e garantindo que seus filhos
e netos também assim o farão. Voltamos ao século da “belle époque” e temos
castas no Brasil. Desdenham tanto a política quanto as leis de trânsito e não
respeitam a constituição como também não respeitam os servidores que estão sem pagamento. Primeiro, sempre, suas excelências e seus penduricalhos.
O resto “que comam brioches”. Quando toda a diferença entre aquele que julga e
o que é julgado está na toga é porque aquele que a usa não merece. Acaba
qualquer noção de direito e as leis são usadas como uma forma de abuso social.
Os juízes param de falar em qualquer idéia real de justiça para acalentarem seus privilégios, seus espaços e seus direitos. É o sistema da
mão grande, do “quem pode mais” só que usando palavras empoladas. Usurpam a política,
ofendem a sociedade, mas exigem serem chamados de “excelências”. Afinal,
imagine se alguém descobrir que por baixo das togas existem seres humanos
quaisquer. Vis, virtuosos, honestos e pútridos, cheirosos e fedorentos. Imagine
se alguém perguntar: Afinal, por que eles ainda mandam?
Mandalas "Viva la Vida"
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
É impressionante como a mídia persegue Lula!
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Human’ é filme único pela eloquência dos depoimentos
Por Mari Weigert, jornalista e editora responsável do site PanHoramarte
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| Eu sou apenas um, dos sete bilhões de pessoas que vivem na Terra. Venho fotografando o planeta e diversidade humana por 40 anos e tenho a impressão de que a humanidade não avança. Nós nunca conseguimos viver juntos em harmonia. Por que?”. Essa foi a pergunta básica que impulsionou Bertrand a desenvolver o projeto ‘Human’ (Humanos). “Eu procurei a resposta no homem e não nas estatísticas ou estudos”. "Click no texto para ver os depoimentos completos" |
Símbolo da resistência
Ana Júlia discursou na quarta-feira (26) na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná para defender a legitimidade das ocupações de escolas como forma de luta pela qualidade da educação pública.
Segundo a ombudsman da Folha, uma espécie de ouvidora que atua sob a perspectiva dos leitores do jornal, a cobertura da imprensa é tímida para a dimensão da luta dos estudantes contra a reforma do ensino médio (MP 746) e contra a PEC 55 (antiga PEC 241) que congela investimentos na educação por 20 anos.










